A Associação Nacional de Imprensa Regional (ANIR) defendeu, esta quarta-feira, no Parlamento, a descida dos preços praticados pela Agência Lusa junto dos órgãos de comunicação social regionais, considerando a medida essencial para reforçar a sustentabilidade do setor.
A posição foi apresentada durante uma audição na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, realizada na Assembleia da República, em Lisboa. O presidente da ANIR, Eduardo Costa, sublinhou que a revisão das tabelas de preços é fundamental num contexto marcado por dificuldades estruturais profundas na imprensa regional.
“Um órgão mensal não pode pagar o mesmo que um diário”, afirmou, defendendo a criação de modelos tarifários diferenciados e ajustados à realidade dos meios locais.
Apesar de o Plano de Ação para a Comunicação Social, apresentado em outubro de 2024, prever descontos entre 50% e 75% para órgãos regionais e locais, e entre 30% e 50% para meios nacionais, o presidente do Conselho de Administração da Lusa, Joaquim Carreira, admitiu que estas reduções ainda não estão em vigor, encontrando-se em fase de elaboração.
O responsável explicou ainda que os preços praticados pela agência têm em conta vários critérios, como a periodicidade, a audiência e o alcance das publicações, não sendo aplicados de forma uniforme a todos os órgãos de comunicação social.
A audição integrou o debate sobre a criação de empresas de comunicação social “sólidas e sustentáveis”, capazes de assegurar a cobertura informativa a nível concelhio e supraconcelhio. Nesse âmbito, Eduardo Costa defendeu a necessidade de estruturas empresariais robustas, com redações profissionalizadas, rejeitando modelos assentes em trabalho não qualificado.
Durante a intervenção, o dirigente alertou para o agravamento dos chamados “desertos de notícias”, referindo a existência de territórios sem qualquer cobertura mediática. Segundo explicou, esta ausência contribui para a desinformação, o afastamento dos cidadãos da vida pública e o enfraquecimento da relação com as instituições.
Eduardo Costa criticou ainda algumas autarquias por criarem publicações que funcionam como órgãos de comunicação social sem respeitarem as regras do setor. No seu entendimento, estas iniciativas, muitas vezes produzidas por estruturas de comunicação institucional e não por jornalistas, distorcem o mercado e prejudicam a imprensa independente.
O presidente da ANIR defendeu também uma revisão mais abrangente das políticas públicas para o setor, incluindo os mecanismos de apoio e a distribuição da publicidade institucional. “É necessário definir o que é a publicidade institucional”, afirmou, criticando o facto de uma parte significativa desses recursos não chegar aos meios regionais.
No plano económico, destacou a importância de modelos empresariais integrados, que permitam explorar sinergias entre diferentes plataformas. “Os jornais sozinhos não vão sobreviver”, afirmou, defendendo a criação de grupos que integrem imprensa, rádio e digital, salvaguardando a autonomia editorial.

















