A programação do Verão a Dois Tempos prossegue em Coimbra com uma nova semana de iniciativas que cruzam música, performance, memória, arte urbana e criação contemporânea, ocupando diferentes espaços da cidade histórica. A programação arranca na terça-feira, 1 de setembro, às 19h00, na Casa da Escrita, com a última sessão da segunda parte do Café Longo, ciclo programático com curadoria da Blue House.
O espaço acolhe o projeto meia unha, uma performance de música e palavra que parte do universo da poesia concreta para explorar os limites da linguagem, da voz e da comunicação. O trabalho é desenvolvido por Diogo Pedrosa (Sloppy Crawler), André Pires (Terrible Mistake) e Sal Nunkachov (Catarro e Abaixonado), músicos com percursos ligados a diferentes projetos do circuito experimental e alternativo. A performance cruza música e palavra num território de tensão entre presença e ausência, assumindo a voz como matéria central e a boca como origem e, simultaneamente, limite da comunicação, num lugar de passagem entre respiração, som e linguagem.
A partir da insuficiência da palavra, do sufoco, da repetição e da ausência, meia unha constrói uma poética da redução, num processo em que os elementos são progressivamente retirados até restarem apenas vestígios: das bibliotecas aos livros, dos livros às páginas, das páginas às frases e das frases às letras. O resultado é uma criação situada entre música, poesia e performance, que questiona aquilo que ainda pode ser dito quando quase tudo desaparece.
Na quarta-feira, 2 de setembro, às 19h00, o Largo do Romal recebe MOVIMENTO PERPÉTUO, de Sérgio Gomes com habitantes da Baixa, um projeto coletivo e colaborativo de cocriação audiovisual centrado na recolha de memórias, narrativas e vivências daquele território. Os elementos e testemunhos recolhidos localmente servirão de base à construção de um guião original para a rodagem de um filme. Com uma dimensão assumidamente intergeracional, o projeto procura envolver os residentes da Baixa num processo de criação artística assente na memória, tendo como objetivo construir uma história comum onde realidade e imaginação se fundem. A participação é gratuita.
Na quinta-feira, 3 de setembro, às 19h00, o Largo do Poço acolhe Our House in the middle of our street, de Gil Mac, iniciativa que encerra o ciclo “Fazer Cidade”, com curadoria do Jazz ao Centro Clube. A sessão propõe um momento de reflexão sobre o percurso realizado e abre, simultaneamente, o capítulo final de uma pesquisa artística dedicada ao mapeamento afetivo da Baixa de Coimbra, percorrendo as suas dimensões históricas, sociais e emocionais desde 1950 até à atualidade.
Com raízes num projeto artístico iniciado em 2022, o designer e performer Gil Mac propõe uma visita que recupera memórias, imagens e narrativas associadas às intervenções realizadas nesse ano, com particular atenção à Rua Direita e à intervenção na fachada da casa da avó do artista. Entre arquivo, autobiografia e espaço urbano, o público é convidado a revisitar os lugares que integram o universo de Our House, numa experiência onde memória pessoal, história familiar e espaço público se cruzam.
A sessão termina com o lançamento de uma edição limitada que reúne registos fotográficos das intervenções realizadas por Gil Mac e Bruno Pires, imagens de making-of de Augusto Fernandes e um texto original de Cláudia Pinto. A publicação contou ainda com a assistência de Filipe Ribeiro e Joana Monteiro e com o apoio do Jazz ao Centro Clube/Salão Brazil, assumindo-se como um objeto de arquivo destinado a preservar e prolongar a vida do projeto. A participação requer inscrição através do endereço servicoeducativo.jacc@gmail.com.
A música regressa ao centro da programação na sexta-feira, 4 de setembro, com duas propostas no Coreto do Parque Manuel Braga. Às 19h00, sobe ao palco a banda conimbricense Lovedust, que, integrada no programa “A Dois Tempos”, com curadoria do Município de Coimbra, recupera referências do pós-punk para construir uma sonoridade simultaneamente sombria e luminosa. O quarteto, formado por músicos com experiência na cena independente, combina linhas de baixo pulsantes, guitarras atmosféricas e ritmos dinâmicos marcados pela urgência.
Mais tarde, às 22h00, o mesmo espaço recebe Tracy Vandal e John Mercy, que apresentam com a sua banda o mais recente álbum, Ivory Razors. O trabalho percorre territórios próximos do western country folk, do blues e do chamado American gothic, prolongando o caminho iniciado com Midnight Presents, álbum de versões editado pela Lux Records em 2022. Regressando em 2025 com um disco de originais, o duo apresenta em Ivory Razors dez canções marcadas por uma atmosfera de outono, nostalgia e estranheza. O álbum foi produzido, gravado, misturado e masterizado por John Mercy nos estúdios Blue House e conta com a participação de Alex Kapranos, vocalista dos Franz Ferdinand, no primeiro single, “To Remember Who You Were”.
O sábado, 5 de setembro, fica também marcado por duas propostas musicais no Coreto do Parque Manuel Braga. Às 19h00, é a vez de Peter Suede, nome artístico de Pedro Baptista, músico natural de Coimbra apontado como um dos nomes em ascensão do rock nacional. Com dois álbuns editados, o artista começou a gravar as primeiras músicas em casa em 2020, durante a pandemia, processo que viria a dar origem a Snake Skin, lançado pela Lux Records em 2022. Em março de 2024, chegou o segundo álbum, Street Hotel, também editado pela Lux Records e antecipado pelos singles “Before I Leave” e “Downtown Drugs”. Depois de um período de maior pausa nos concertos e na escrita, Peter Suede encontra-se atualmente a trabalhar no terceiro álbum, ainda sem data prevista de lançamento.
Às 22h00, o palco recebe os Birds Are Indie, trio de Coimbra que apresenta um espetáculo baseado no seu sétimo álbum de longa duração, The Stone of Madness. A banda preserva a raiz folk e do bedroom pop dos primeiros trabalhos, mas amplia a sua paleta sonora através da utilização de sintetizadores, caixas de ritmo e guitarras elétricas. Em The Stone of Madness, os Birds Are Indie aprofundam o caminho iniciado no disco anterior, Ones & Zeros, dois registos que se relacionam pela coerência sonora, pela dualidade temática e pela complementaridade visual.
Todas as iniciativas desta programação têm entrada livre, com exceção da sessão de Our House in the middle of our street, cuja participação requer inscrição prévia.
Promovido pelo Município de Coimbra, em coorganização com a Associação Há Baixa, Blue House, Encontros de Fotografia, Fila K Cineclube e Jazz ao Centro Clube, o Verão a Dois Tempos decorre até ao final de setembro na zona histórica da cidade. A iniciativa aposta no cruzamento de públicos e na revitalização de espaços urbanos através de sete ciclos de programação, que integram um total de 75 iniciativas em oito locais da Alta e da Baixa de Coimbra. Concertos, performances, exposições, cinema, residências artísticas, oficinas e um festival de encerramento na Estação Nova integram uma programação que procura aproximar diferentes públicos dos espaços e das comunidades da cidade.

















































































