Há um ano, acabavam de ser marcadas as eleições autárquicas e estávamos já em pleno período de definição de candidaturas e programas. Coimbra elegeu Ana Abrunhosa como presidente de Câmara, líder de uma coligação do PS, cuja governação, na prática, não se distingue das propostas do PSD ou da IL.
Tomando como exemplo a reunião de Câmara da última segunda-feira, 20 de julho de 2026, são evidentes as contradições entre as posições e propostas da campanha da coligação Avançar Coimbra e as decisões do atual Executivo, particularmente em áreas tão estruturantes como a habitação e os transportes públicos.
No programa, era feita a crítica à concentração e isolamento da habitação social, que tem como resultado a espacialização da pobreza. Num artigo publicado no Diário de Coimbra de 8 de agosto, Ana Abrunhosa assinava a opinião de que Coimbra promovia “habitação onde é mais barato construir, ignorando o acesso a serviços, transportes e equipamentos de lazer, de educação e sociais. O resultado é a desagregação social e urbana”, dando como exemplo o bairro da Quinta das Bicas, em Taveiro, que “concentrará cerca de 900 moradores, isolado de serviços e centralidades”.
Na última reunião de Câmara, Ana Abrunhosa acabou por admitir que, se fosse ela a presidente aquando da decisão de construir o mega bairro social da Quinta da Bicas, tomaria exatamente “a mesma decisão do executivo anterior”.
Relativamente aos transportes públicos, enquanto candidata, Ana Abrunhosa foi insistente nos debates, em entrevistas e no programa: seria necessário reorganizar os SMTUC (Serviços Municipalizados e Transportes Urbanos de Coimbra), apostando na reformulação das rotas para cobrir todo o concelho e na valorização das carreiras dos seus trabalhadores, o que passaria, na sua proposta, pela criação de uma Empresa Municipal. A 23 de setembro, à saída de uma reunião com o conselho diretivo dos SMTUC, declarava ser necessário “continuar a ter SMTUC”.
Na última reunião de Câmara, Ana Abrunhosa admitiu que está a ser ponderada a entrega do serviço de transportes urbanos de Coimbra a um operador privado. A revelação de que Coimbra poderá avançar para a concessão dos SMTUC surgiu no ponto de análise da proposta de redução em mais de vinte linhas dos serviços de transporte urbano durante o mês de Agosto, que acabou por ser aprovada. Esta decisão é, aliás, demonstrativa da orientação do Executivo quanto ao futuro dos SMTUC. Ficou claro que se trata, não apenas de uma medida excecional para acomodar a redução do número de utilizadores durante o verão, mas de uma medida que poderá vir a ser definitiva, respondendo à falta de recursos do serviço público. Desta forma, é realizada uma reformulação significativa da rede dos SMTUC no período do ano em que a decisão tem menos visibilidade e, por isso, gerará menos contestação.
Em setembro, muitos utilizadores regressarão de férias para se confrontar com o desaparecimento de linhas, sem que nenhuma discussão pública tenha sido facilitada. Habitação e transportes públicos são determinantes para a qualidade da vida das pessoas em Coimbra.
O que o Bloco de Esquerda defende nestas áreas é a visão de um concelho de e para as pessoas: para quem cá vive, trabalha e estuda. Ana Abrunhosa há muito que fez outra escolha: quer um concelho-incubadora para empresas, um concelho para nómadas digitais e para turistas.
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Comissão Coordenadora Concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda








































































