O cancro do pulmão continua a ser uma das doenças oncológicas com maior impacto em Portugal, não apenas pelo elevado número de mortes que provoca, mas também pelo forte impacto emocional e social que acompanha muitos diagnósticos. O alerta é lançado no âmbito da 6.ª edição da campanha nacional “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias”, que assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão, celebrado a 1 de agosto.
De acordo com o relatório Lung Cancer and Mental Health – 10th LuCE Report on Lung Cancer, cerca de 90% das pessoas diagnosticadas com cancro do pulmão referem consequências emocionais relacionadas com a doença, destacando sentimentos de medo, tristeza, ansiedade, depressão e isolamento.
Os dados revelam ainda que 76,7% dos doentes manifestam receio da progressão da doença ou da perda de eficácia dos tratamentos, enquanto 53,7% afirmam sentir tristeza após o diagnóstico. Cerca de um quarto dos doentes desenvolve depressão ao longo da doença e um em cada cinco é diagnosticado com ansiedade.
Em Portugal, foram registados 6.148 novos casos de cancro do pulmão em 2024, tornando-se a quarta neoplasia mais diagnosticada no país. No mesmo ano, a doença foi responsável por 5.589 mortes, mantendo-se como a principal causa de mortalidade por cancro. A nível mundial, estima-se que tenham sido diagnosticados cerca de 2,6 milhões de novos casos e registadas mais de 1,8 milhões de mortes.
Apesar destes números, especialistas alertam que o cancro do pulmão continua a ser uma das doenças mais marcadas pelo estigma, sobretudo devido à associação ao consumo de tabaco. Esta perceção leva muitos doentes a sentirem culpa e vergonha, mesmo quando nunca fumaram ou quando a doença resulta de outros fatores, como a exposição ambiental, riscos ocupacionais ou predisposição genética.
“O cancro do pulmão continua a ser uma das poucas doenças em que muitos doentes sentem necessidade de explicar porque adoeceram. Esta culpa pode aumentar o sofrimento emocional e criar barreiras precisamente no momento em que a pessoa mais precisa de procurar ajuda”, afirma Jorge Ferreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.
A evidência científica demonstra que o estigma pode ter consequências concretas, influenciando a forma como os doentes comunicam os sintomas, procuram apoio médico e enfrentam a doença. Estudos apontam para um maior isolamento social, pior qualidade de vida, sintomas depressivos mais acentuados e atrasos na procura de cuidados de saúde.
Também Isabel Magalhães, presidente da Associação Pulmonale, defende que a prevenção não deve ser confundida com culpabilização. “Continuar a informar sobre os fatores de risco, incluindo o tabagismo, é essencial. Mas prevenir não pode significar culpabilizar. Nenhuma pessoa deve deixar de falar sobre sintomas, procurar apoio ou recorrer aos cuidados de saúde por receio de ser julgada”, sublinha.
Promovida pela AstraZeneca, a campanha “O Cancro do Pulmão Não Tira Férias” conta com o apoio de várias entidades, entre as quais a Associação Pulmonale, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, a Associação Nacional das Farmácias, a Câmara Municipal de Lisboa, a CP – Comboios de Portugal e outras organizações ligadas à saúde.
Na edição de 2026, a iniciativa pretende sensibilizar a população para a dimensão psicológica da doença e combater o estigma associado ao cancro do pulmão, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acesso atempado aos cuidados de saúde.










































































