Comprar casa em Portugal continua a expor um mercado desigual. De acordo com dados do Imovirtual, referentes a 2025, o preço médio de uma habitação pode variar até sete vezes entre distritos, refletindo um país a várias velocidades, onde as áreas metropolitanas e turísticas concentram os valores mais elevados, enquanto o interior surge como a opção mais acessível para quem procura comprar casa.
No topo do mercado, os dados do Imovirtual mostram que os cinco distritos mais caros para comprar casa continuam a concentrar-se nas áreas metropolitanas, litoral e ilhas com forte pressão turística.
Lisboa lidera com um preço médio de 650.000€, seguida da Ilha da Madeira (575.000€), Faro (530.000€), Ilha de Porto Santo (480.000€) e Setúbal (460.000€). Estes valores situam-se entre 10% e 55% acima da média nacional, refletindo a concentração de emprego, investimento e procura nestes territórios.
Em contraste, o interior do país continua a oferecer as opções mais acessíveis para quem procura comprar casa. Castelo Branco surge como o distrito mais económico, com um preço médio de 89.000€, seguido da Guarda (100.000€), Ilha da Graciosa (110.000€), Bragança (115.000€) e Portalegre (120.000€). Nestes distritos, os valores situam-se até 79% abaixo da média nacional, evidenciando um mercado mais local e menos pressionado pela procura.
A análise territorial do Imovirtual confirma um padrão consistente. As áreas metropolitanas apresentam um preço médio de 527.125€, cerca de 25% acima da média nacional, enquanto o interior regista um preço médio de 164.944€, ou seja, 61% abaixo desse valor. Já nas ilhas, o preço médio fixa-se nos 286.273€, mas com diferenças muito acentuadas entre mercados premium, como a Madeira, e ilhas de menor dimensão, onde a procura é mais limitada.
Esta disparidade traduz-se numa diferença extrema de 7,3 vezes entre o distrito mais caro e o mais acessível, com um gap absoluto de 561.000€. Um retrato que reforça o histórico desequilíbrio entre litoral e interior e evidencia como o território continua a ser um dos principais fatores na definição do preço da habitação em Portugal.
Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, “os dados mostram que a localização continua a ser determinante no acesso à habitação. As grandes áreas urbanas e os territórios com forte atratividade turística mantêm valores elevados, enquanto o interior apresenta preços mais acessíveis. Ainda assim, é importante sublinhar que, mesmo nos distritos mais económicos, comprar casa continua a ser um desafio para muitos portugueses, sobretudo quando se considera o atual contexto económico e o rendimento disponível das famílias.”
O retrato traçado pelo Imovirtual confirma, assim, que o mercado imobiliário português permanece marcado por fortes assimetrias regionais. Enquanto alguns distritos concentram a pressão da procura e os valores mais elevados, outros continuam a representar oportunidades para quem procura maior acessibilidade, reforçando a necessidade de leituras territoriais diferenciadas na análise do mercado da habitação.









































































