O Museu Nacional de Conímbriga está a realizar, durante a campanha arqueológica de 2026, novas escavações na área do antigo caminho municipal que atravessava a emblemática Casa dos Repuxos, numa intervenção que promete aprofundar o conhecimento sobre um dos mais importantes edifícios da antiga cidade romana.
A iniciativa decorre 87 anos após as primeiras escavações realizadas naquele local e concretiza um objetivo patrimonial há muito ambicionado. A retirada da circulação automóvel da antiga Estrada das Ruínas, atual Rua Vergílio Correia, permite agora investigar uma área até aqui inacessível, contribuindo para uma compreensão mais completa da planta da Casa dos Repuxos e abrindo novas perspetivas para a sua conservação e musealização.
O diretor do Museu Nacional de Conímbriga, Vítor Dias, destaca a colaboração do Município de Condeixa na reorganização da circulação rodoviária, considerando que esta decisão constitui “uma boa prática de gestão territorial e de proteção do património arqueológico”.

Durante vários anos, a circulação de automóveis, autocaravanas, motociclos e visitantes na mesma via foi considerada incompatível com a preservação e fruição do espaço museológico. Desde 2021, tornaram-se mais evidentes os riscos para as estruturas arqueológicas, nomeadamente para o viaduto romano e os arcos da Casa dos Repuxos, devido ao peso das viaturas, às vibrações e à deposição constante de poeiras sobre os mosaicos e outros vestígios.
A alteração da circulação no interior do campo arqueológico, classificado como Monumento Nacional desde 1910, reforça as condições de segurança para visitantes e contribui para alinhar Conímbriga com as melhores práticas internacionais de gestão de sítios arqueológicos.
Para a presidente da Câmara de Condeixa, Liliana Pimentel, esta era uma medida “há muito desejada”, que permitirá aprofundar o conhecimento científico sobre a Casa dos Repuxos e criar novas oportunidades para a sua valorização. A autarca sublinha ainda que o município assume a responsabilidade de conciliar a gestão do território com a preservação de um património considerado essencial para a identidade local e para o desenvolvimento cultural e turístico do concelho.
As campanhas arqueológicas desenvolvidas de forma consecutiva desde 2021 já permitiram intervencionar mais de mil metros quadrados, reforçando o Cluster Experimental de Ciência do Museu Nacional de Conímbriga.
O trabalho realizado ao longo dos últimos cinco anos deu origem a mais de uma dezena de dissertações de mestrado e teses de doutoramento, mais de 55 publicações científicas, cerca de 50 comunicações em encontros científicos e 57 estágios, evidenciando o impacto da investigação realizada no sítio arqueológico.








































































