Um novo estudo do Automóvel Club de Portugal (ACP) revela que 2026 poderá marcar um ponto de viragem na adoção da mobilidade elétrica em Portugal. O relatório “Mobilidade Elétrica em Portugal 2026”, desenvolvido pelo Observatório ACP, identifica uma aceleração clara na adoção de veículos eletrificados e uma mudança significativa na perceção dos consumidores portugueses.
O estudo foi apresentado durante a cerimónia de entrega de prémios do concurso ACP Elétrico do Ano 2025, iniciativa que distingue os modelos 100% elétricos preferidos pelos portugueses. Entre os vencedores, o Audi Q6 e-tron destacou-se como o modelo mais votado de todas as categorias. Na edição deste ano, o Škoda Elroq venceu na categoria Familiares, o Audi Q6 e-tron na categoria Premium, o Renault 4 E‑Tech entre os Citadinos e o Peugeot e‑5008 na categoria SUV.
Adoção em crescimento
De acordo com o estudo, os veículos eletrificados já representam cerca de 9% do mercado automóvel português, um aumento de 5,5 pontos percentuais face ao levantamento realizado em 2025. Em paralelo, o parque automóvel nacional mostra sinais de renovação: 38% dos carros em circulação têm mais de 15 anos, menos cinco pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto cresce a presença de veículos com menos de quatro anos.
Também a intenção de mudança de automóvel aumentou significativamente. Quase metade dos condutores (49%) admite substituir o carro atual nos próximos um a cinco anos, um crescimento de 25 pontos percentuais em comparação com 2025.
O interesse por veículos com propulsão elétrica continua a aumentar e já representa cerca de metade das preferências dos condutores portugueses. A predisposição para adquirir um veículo eletrificado subiu para 55% dos inquiridos, mais 22 pontos percentuais face ao ano anterior.
Entre as principais motivações apontadas estão a preocupação ambiental, os custos de utilização mais baixos e a expectativa de evolução tecnológica. Ainda assim, persistem alguns entraves à decisão de compra, como o preço inicial elevado, a perceção de autonomia limitada, o tempo de carregamento e a escassez de oficinas especializadas.
Mercado de usados começa a ganhar peso
O estudo indica também que o mercado de veículos eletrificados usados começa a ganhar expressão. Cerca de 37% dos condutores consideram provável comprar um carro elétrico em segunda mão, um aumento de 19 pontos percentuais face a 2025. O preço mais acessível surge como principal fator de atração, embora persistam dúvidas sobre a durabilidade das baterias e o valor de mercado destes veículos.
Entre os condutores que ainda não utilizam carros eletrificados, a familiaridade com esta tecnologia aumentou significativamente: 59% afirmam ter amigos ou familiares com veículos eletrificados, um fator que contribui para reduzir barreiras e aumentar o interesse.
No campo da notoriedade das marcas, a BYD ultrapassou a Tesla como “marca de sonho”, sobretudo entre os condutores mais jovens.
O perfil do proprietário de veículos eletrificados revela um mercado ainda recente: 82% dos proprietários possuem o veículo há menos de cinco anos.

A maioria dos utilizadores (86%) carrega o automóvel em casa, enquanto 91% também recorre à rede pública de carregamento. Os custos mantêm-se relativamente estáveis, rondando cerca de sete euros por carregamento doméstico e aproximadamente 50 euros mensais na rede pública.
Entre os comercializadores de energia, a Galp — através da marca Galp Electric — e a EDP destacam-se como os operadores mais relevantes, sendo a Galp a que apresenta maior crescimento.
A digitalização assume um papel crescente no ecossistema da mobilidade elétrica. Cerca de 39% dos utilizadores recorrem a aplicações móveis para localizar ou pagar carregamentos. Entre as mais utilizadas estão as aplicações Galp Electric, Via Verde Electric, Mundo Galp e EDP Charge.
Apesar do crescimento do setor, o estudo sublinha a existência de desafios estruturais. A rede de carregamento apresenta desigualdades territoriais, sendo menos densa em zonas rurais e em regiões como o Alentejo. Nos condomínios residenciais, cerca de 25% dos inquiridos referem dificuldades na instalação de carregadores, enquanto 43% consideram difícil carregar veículos em casa.
Consumidores mais informados
Em síntese, o relatório conclui que o automóvel eletrificado se está a afirmar como uma alternativa cada vez mais relevante na mobilidade em Portugal. O consumidor português surge mais informado, mais confiante e mais disposto a adotar soluções elétricas, embora fatores como o preço dos veículos, a infraestrutura de carregamento e a autonomia continuem a ser desafios importantes para uma adoção generalizada.
O trabalho de campo do estudo decorreu entre 28 de janeiro e 11 de fevereiro de 2026, com 1.608 entrevistas, numa amostra representativa da população portuguesa com carta de condução, considerando critérios de género, idade e distribuição regional.







































































