Num momento estão tranquilamente deitados no sofá. No seguinte, arrancam a toda a velocidade pela casa, fazem curvas apertadas, saltam, rolam e parecem transformar a sala numa pista de atletismo. Quem vive com cães ou gatos provavelmente já assistiu a estes súbitos ataques de energia, habitualmente conhecidos como “zoomies”.
O comportamento é tão comum que até existe uma designação científica proposta: FRAPs, sigla inglesa para Frenetic Random Activity Periods, ou períodos de atividade frenética aleatória. Nos coelhos, episódios semelhantes são frequentemente chamados de binkies.
Apesar do aspeto quase descontrolado, na maioria dos casos não há motivo para preocupação. Os “zoomies” tendem a estar associados à excitação, à brincadeira e a momentos de grande estimulação.
Depois do banho, à noite ou até após usar a caixa de areia
Não existe um único motivo para estes episódios. Nos cães, podem surgir depois do banho, após uma ida ao parque, durante uma brincadeira particularmente entusiasmante ou simplesmente sem um estímulo evidente. Também são frequentes ao final do dia, depois de períodos prolongados de descanso.
Nos gatos, um dos momentos frequentemente associados aos “zoomies” acontece depois de utilizarem a caixa de areia. Uma das explicações propostas relaciona este comportamento com a estimulação do nervo vago durante a defecação, que pode provocar alterações fisiológicas e uma sensação de alívio ou bem-estar.
Os especialistas consideram também que os “zoomies” partilham várias características com o comportamento de brincadeira. Quando surgem regularmente num contexto descontraído e o animal apresenta uma linguagem corporal positiva, são geralmente interpretados como sinal de excitação e vontade de brincar.
Ainda assim, há muito por descobrir. A investigação científica específica sobre estes episódios continua a ser limitada, não existindo sequer uma definição científica universal para o fenómeno. Também não está estabelecido se são mais frequentes em determinadas raças ou em períodos específicos do dia.

O animal pode estar a convidar o dono para brincar
A linguagem corporal é importante para perceber o significado do episódio. Um cão pode, por exemplo, interromper a corrida e fazer a conhecida posição de convite à brincadeira: patas dianteiras junto ao chão e traseiro levantado. Depois, pode voltar a disparar pela casa à espera de ser perseguido.
Nos gatos, o convite pode assumir outras formas, como aproximarem-se repetidamente do tutor, rolarem no chão ou procurarem interação durante o episódio.
Nestes casos, não há razão para travar a diversão. Desde que o espaço seja seguro, brincar com o animal pode ser uma forma de reforçar a relação entre ambos e proporcionar estimulação física e mental.
É preciso parar os “zoomies”?
Em circunstâncias normais, não. Se o cão ou o gato estiver num ambiente seguro, o melhor será deixá-lo gastar aquela explosão momentânea de energia.
A principal preocupação deve ser evitar acidentes. Um episódio junto a uma estrada, escadas perigosas, superfícies escorregadias ou objetos que possam cair exige intervenção. Dentro de casa, também pode ser aconselhável retirar obstáculos caso o animal tenha pouco espaço para correr.
Apesar da velocidade, cães e gatos são normalmente bastante hábeis a contornar obstáculos. E os episódios tendem a ser curtos, terminando tão subitamente como começaram.
Quando é que os “zoomies” podem ser motivo de preocupação?
Embora sejam geralmente normais, nem todas as corridas frenéticas significam felicidade. O contexto e eventuais mudanças no comportamento habitual do animal são fundamentais.
Se os episódios aparecerem subitamente num animal que nunca os tinha, se forem excessivamente frequentes ou prolongados, ou se forem acompanhados por sinais como dor, desorientação, agressividade, vocalização anormal, comichão intensa, dificuldade em movimentar-se ou incapacidade de acalmar, é aconselhável procurar orientação veterinária.
Também importa distinguir uma brincadeira entusiasmada de comportamentos repetitivos associados a ansiedade ou stress. Observar o que acontece imediatamente antes e depois do episódio pode ajudar a perceber a diferença.
Na grande maioria das vezes, porém, aqueles segundos em que o cão atravessa a sala como um velocista ou o gato transforma o corredor numa pista de corridas são precisamente aquilo que parecem: uma explosão de energia e diversão.







































































