A Guarda Nacional Republicana (GNR), através da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), registou mais de 400 intervenções operacionais desde 2024 nos principais maciços montanhosos do país, reforçando a sua capacidade especializada de busca e resgate em ambientes de montanha, adianta em nota a GNR.
A resposta da GNR acompanha o aumento da procura destes territórios para a prática de desportos de natureza, turismo e atividades de lazer, num contexto marcado pelas exigências orográficas e pelas rápidas alterações das condições meteorológicas. A força especializada assegura uma resposta permanente que combina segurança e policiamento com intervenção em situações de emergência, proteção e socorro, particularmente em locais de difícil acesso.
A capacidade de busca e resgate em montanha da GNR resulta de um processo de especialização com mais de duas décadas. O percurso começou em 2002, com os estudos para a criação do Posto de Montanha da Serra da Estrela, tendo sido constituído, a 5 de maio de 2003, o Grupo Especial de Montanha.
Com a experiência adquirida, o dispositivo evoluiu para um Pelotão de Busca e Resgate em Montanha e, posteriormente, foi integrado no antigo Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS). Esta evolução levou também à criação da Base Tática de Busca e Resgate em Montanha da Serra da Estrela, até à atual estrutura integrada na UEPS, designada Posto de Busca e Resgate em Montanha da Serra da Estrela.
A experiência acumulada na Serra da Estrela permitiu posteriormente alargar esta valência a outras zonas do território nacional. No Parque Nacional da Peneda-Gerês, a resposta começou por ser assegurada através de equipas dedicadas, tendo culminado na criação formal do Posto de Busca e Resgate em Montanha do Gerês, em 1 de junho de 2021, com sede no Centro de Animação Turística, em Terras de Bouro.
Na Madeira, a crescente procura pelo turismo de natureza e o aumento de ocorrências em levadas e outros locais de acesso condicionado levaram à formação especializada de militares, iniciada em 2014, e à criação, em 2018, do Posto de Proteção e Socorro da Madeira.

Serra da Estrela concentra maior número de intervenções
Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, os postos especializados da GNR registaram centenas de operações nos principais maciços montanhosos do país.
Na Serra da Estrela, o Posto de Busca e Resgate em Montanha contabilizou 138 intervenções em 2024, 115 em 2025 e 29 no primeiro semestre de 2026. O auxílio a condutores representou a maior parcela das ocorrências, com 93 ações em 2024, 65 em 2025 e 10 em 2026.
Também foram realizadas operações de resgate e salvamento, evacuações, buscas, prestação de primeiros socorros, recuperação de cadáveres e intervenções relacionadas com acidentes rodoviários. Nesta última categoria foram registadas 32 ocorrências em 2024, 19 em 2025 e nove no primeiro semestre deste ano.
No Parque Nacional da Peneda-Gerês, o respetivo posto contabilizou 60 intervenções em 2024, 53 em 2025 e cinco no primeiro semestre de 2026. As operações de resgate e salvamento e as buscas assumiram particular expressão, com 20 resgates e 18 buscas em 2024 e oito resgates e 21 buscas em 2025.
Na Madeira, o Posto de Proteção e Socorro registou 12 intervenções em 2024, oito em 2025 e cinco nos primeiros seis meses de 2026. Entre as ocorrências encontram-se buscas, resgates e salvamentos, primeiros socorros, recuperação de cadáveres, cortes de árvores e intervenções relacionadas com incêndios.

Segurança e socorro numa resposta integrada
A atuação da GNR assenta numa abordagem que articula as componentes de segurança e de emergência, proteção e socorro. Enquanto Agente de Proteção Civil, a UEPS mantém uma capacidade técnica especializada e permanente para responder a situações de emergência em ambientes de montanha.
Esta intervenção inclui não só operações de busca, resgate e salvamento, mas também ações de prevenção, fiscalização e segurança, em articulação com as restantes entidades que integram o sistema de proteção civil.
Perante o aumento da utilização dos espaços naturais e montanhosos, a GNR reforça também a importância da prevenção e da adoção de comportamentos seguros por parte dos praticantes de atividades ao ar livre.

GNR deixa recomendações para quem vai para a montanha
Entre as principais recomendações está o planeamento antecipado dos percursos. A GNR aconselha a evitar caminhadas a solo, informar familiares ou conhecidos sobre o itinerário e a hora prevista de regresso e recolher informação atualizada sobre o trajeto e as condições existentes.
É igualmente importante iniciar os percursos com tempo suficiente para terminar antes do anoitecer e reavaliar ou suspender a atividade perante previsões de condições meteorológicas adversas.
Quanto ao equipamento, os praticantes devem utilizar vestuário e calçado adequados e levar uma mochila com impermeável, roupa suplementar, chapéu, óculos de sol e proteção solar. A GNR recomenda ainda o transporte de um telemóvel com a bateria carregada, GPS ou mapa da região, apito, lanterna com pilhas de reserva, manta de emergência, estojo de primeiros socorros, água e alimentos.
A GNR sublinha, assim, a importância de aliar a preparação das atividades à avaliação das condições do terreno e do estado do tempo, contribuindo para reduzir o risco de acidentes e facilitar uma eventual intervenção das equipas de emergência.











































































