O administrador executivo do Grupo Natura IMB Hotels, Luís Veiga, criticou a atual concessão do turismo e dos desportos na Serra da Estrela, atribuída à Turistrela até 2046, defendendo a criação de um plano de pormenor que identifique áreas de investimento e permita abrir espaço à iniciativa privada.
As declarações foram feitas em entrevista ao programa “Flagrante Directo”, da Rádio Cova da Beira, onde o empresário considerou que o atual modelo de concessão não faz sentido para o desenvolvimento da Serra da Estrela.
“Não faz sentido aqui na Serra da Estrela ter uma concessão deste tipo. Faz sentido é que haja investimentos, em que haja um plano de pormenor para toda a zona da Serra e que haja pessoas credíveis a gerir a Serra e eventualmente concessionar, por exemplo, a área do esqui ou a área dos desportos de Verão”, afirmou.
Luís Veiga defendeu ainda que essas concessões devem ser atribuídas a entidades com experiência comprovada e currículo reconhecido nas respetivas áreas de atividade.
O responsável do Grupo Natura IMB Hotels, que detém várias unidades hoteleiras na região, entre as quais o H2otel, Puralã, Hotel Lusitânia, Hotel Versatile e Sport Hotel, tem sido uma das vozes críticas da gestão do turismo na Serra da Estrela.

Durante a entrevista, rejeitou também a ideia de que a Serra da Estrela seja apenas um “gigante adormecido”, considerando que o território vive há décadas uma situação de estagnação.
“As pessoas costumam falar do gigante adormecido, mas quem diz isso não sabe o que é que se passa aqui na Serra da Estrela. Ou, se sabe, sabe mal. Porque desde 71, com a atribuição da concessão à Turistrela, a Serra está em cuidados continuados”, declarou.
As críticas estendem-se igualmente à gestão da área do esqui. Segundo Luís Veiga, o concessionário mantém em autogestão a atividade ligada à neve, uma área que, afirma, “tem sido supercriticada por quem tem ido à Serra da Estrela”.
O empresário recordou ainda o despacho publicado em março de 2023 pelo então secretário de Estado do Turismo, Nuno Fazenda, que estabelecia um prazo para a concessionária apresentar investimentos e respetivas fontes de financiamento. Contudo, afirma que esse prazo foi sendo sucessivamente prorrogado.
Luís Veiga classificou o processo como uma “operação de branqueamento, para inglês ver”, defendendo que as sucessivas extensões do prazo permitem manter a situação atual sem investimentos concretos.
Na entrevista, o administrador executivo criticou também o estado do Centro de Inovação para o Turismo, inaugurado na Covilhã em 2019, considerando que o projeto perdeu relevância.
“Praticamente não existe. Nós desconhecemos que ele exista neste momento na Covilhã”, afirmou, acrescentando que no local apenas identifica atualmente o Posto de Turismo.








































































