A Infraestruturas de Portugal (IP) recusou a proposta apresentada pela Câmara de Penacova para reabrir temporariamente um troço da Estrada Nacional 2 (EN2), encerrado na sequência dos problemas de instabilidade registados junto ao cemitério da Carvoeira.
Nos últimos meses, a autarquia tem mantido contactos com o Governo, a IP, a Região Metropolitana de Coimbra e outras entidades, procurando acelerar a reabilitação da EN2 e da ER110, frisa em nota a autarquia, liderada por Álvaro Coimbra.
O município considera que o prolongado encerramento destas vias está a causar fortes prejuízos às populações, à economia local, aos transportes públicos e aos serviços de emergência.
Com o objetivo de minimizar esses impactos durante o verão, a Câmara propôs a reabertura provisória do troço compreendido entre os quilómetros 238,240 e 238,450 da EN2, permitindo apenas a circulação alternada de veículos ligeiros, limitada a 30 quilómetros por hora.
Para viabilizar a solução, a autarquia comprometeu-se a executar diversas intervenções, entre as quais o reforço do sistema de drenagem de águas pluviais, a execução de rampas em mistura betuminosa nas zonas fissuradas, a instalação de sinalização de limitação de velocidade e a colocação de semáforos para regular o trânsito alternado.
Paralelamente, o município instalou alvos topográficos para monitorizar a evolução da plataforma afetada e prevê realizar, em breve, sondagens ao solo. Segundo a Câmara, as leituras mais recentes apontam para uma estabilização do terreno.
A autarquia recorda ainda que, na sequência das tempestades de março, realizou uma intervenção de emergência para estabilizar os muros do cemitério da Carvoeira, permitindo atuar nos talhões afetados e iniciar o processo de trasladação de sepulturas. As medidas propostas para a reabertura da estrada baseiam-se num relatório técnico elaborado pelo Itecons.
Contudo, a Infraestruturas de Portugal recusou a proposta. Em resposta enviada ao município, a empresa considera que “não estão reunidas condições para autorizar a circulação no troço afetado”.
A IP justifica a decisão afirmando que continuam por apurar elementos fundamentais sobre a evolução da instabilidade do terreno, nomeadamente a profundidade e a espessura da massa de solo afetada. A empresa refere ainda que “os deslocamentos horizontais já observados no muro de contenção do cemitério, na ordem dos trinta centímetros, constituem um sinal objetivo de instabilidade relevante e não permitem concluir que a circulação rodoviária possa ser retomada com segurança”.
Perante esta posição, a Câmara de Penacova manifesta “extrema preocupação” com o calendário previsto pela Infraestruturas de Portugal para a reabilitação da EN2 e da ER110, considerando que a reabertura de ambas as estradas continua sem uma data concreta, prolongando os constrangimentos para a população e para a atividade económica do concelho.











































































