A Junta de Freguesia de Meruge manifestou a sua oposição à intenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), anunciada pelo Município de Oliveira do Hospital, de avançar com um projeto de renaturalização do Rio Cobral, defendendo que a prioridade deve ser a eliminação das fontes de poluição que afetam o curso de água.
Em comunicado, a autarquia de Meruge sustenta que a degradação ambiental do Rio Cobral resulta das descargas de efluentes provenientes das empresas de lacticínios localizadas na zona da Catraia de São Romão/Carragosela, no concelho de Seia, considerando que essas situações têm permanecido sem uma resposta eficaz das entidades competentes.
A Junta recorda que, ao longo dos últimos anos, tem solicitado ao Município de Oliveira do Hospital a realização de reuniões com as entidades fiscalizadoras e com a Câmara de Seia, procurando reforçar a cooperação institucional na defesa da saúde pública e das populações ribeirinhas.
Segundo o comunicado, a mediatização nacional do caso, através de reportagens televisivas, artigos na imprensa, notícias em órgãos de comunicação social regionais, bem como a aprovação de uma moção na Assembleia Municipal e a criação de uma petição pública subscrita por milhares de cidadãos, contribuíram para a realização de uma reunião, a 17 de junho de 2026, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.
Nesse encontro participaram representantes da APA e do SEPNA da GNR, tendo estado ausentes a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e a Câmara Municipal de Seia.
De acordo com a Junta de Freguesia, a APA informou então que as quatro fábricas de queijo da Catraia de São Romão/Carragosela dispõem de licenças para descarga de efluentes no Rio Cobral e que todas apresentavam os respetivos controlos analíticos e boletins de descarga atualizados.

A autarquia refere, contudo, que questionou a APA sobre o agravamento da poluição registado entre janeiro e junho deste ano, período em que, segundo afirma, ocorreram descargas diárias, maus odores, água esbranquiçada e formação constante de espuma. A Junta assinala ainda que esta situação coincidiu com a aquisição das fábricas Tavares e Ribeiro e Guimarães pelo grupo Lactalis.
Segundo o comunicado, nessa reunião a APA comprometeu-se a instalar equipamentos de monitorização nas unidades industriais para avaliar a carga poluente dos efluentes descarregados no rio.
Já na reunião realizada a 31 de julho, que contou com representantes da APA, do SEPNA, da Câmara de Oliveira do Hospital, da Câmara de Seia e da Junta de Freguesia de Meruge, a autarquia afirma que esperava conhecer os resultados dessa monitorização. No entanto, lamenta que o tema não tenha sido abordado e considera que continuam por esclarecer os níveis de poluição associados a cada uma das unidades industriais.
Em alternativa, acrescenta a Junta, a APA apresentou um projeto de renaturalização do Rio Cobral, proposta que mereceu o apoio dos presidentes das câmaras de Oliveira do Hospital e de Seia.
A Junta de Freguesia considera, porém, que a limpeza das margens e do leito do rio poderá ser importante, mas defende que essa intervenção não resolverá o problema enquanto persistirem as descargas poluentes. Para a autarquia, a recuperação ambiental do Rio Cobral só será efetiva com a eliminação das fontes de poluição e com uma fiscalização eficaz das unidades industriais responsáveis pelos efluentes.
No final do comunicado, a Junta de Freguesia de Meruge reafirma que não apoiará iniciativas que, na sua perspetiva, não incidam sobre a origem do problema, reiterando que a prioridade deve ser a despoluição efetiva do Rio Cobral através da eliminação das descargas poluentes.








































































