“O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os observam sem fazer nada.”
— Albert Einstein
Há momentos na história em que o mais importante não é o que acontece à nossa volta, mas a forma como escolhemos responder às adversidades. É nesses momentos que se define quem somos — e quem queremos ser.
Vivemos tempos estranhos. Todos os dias, quase sem exceção, chegam-nos pela televisão, pelos ecrãs e pelas redes sociais discursos carregados de ruído: palavras duras, expressões de ódio, intolerância disfarçada de opinião, egocentrismos elevados a virtude e lutas de poder apresentadas como inevitáveis.
E o maior risco não é o discurso existir.
O maior risco é habituarmo-nos a ele.
Quando normalizamos o excesso, a agressividade e a desumanização, começamos — sem perceber — a baixar a fasquia do que aceitamos como sociedade. Resignamo-nos. Encolhemos os ombros. Dizemos “é assim”, “sempre foi”, “não vale a pena”. E é precisamente aí que algo essencial se perde.
2026 pode — e deve — ser diferente.
Não porque o mundo vá mudar sozinho, mas porque nós podemos escolher mudar a forma como estamos nele.
Ser diferente não significa gritar mais alto.
Ser diferente é recusar o ódio como linguagem, a intolerância como atalho e o ego como centro de tudo.
Ser diferente é lembrar que nenhum crescimento é verdadeiro se deixa pessoas para trás.
Quando escolhemos a humanização, precisamos, mais do que nunca, de uma sociedade inclusiva, onde a diferença seja oportunidade, não ameaça; mais humanizada, onde as pessoas valham mais do que as ideologias partidárias; mais consciente, onde o poder seja responsabilidade e não vaidade.
Vivemos numa era de enorme avanço tecnológico e informativo, mas isso só terá valor real se caminhar lado a lado com empatia, ética e sentido de comunidade. Caso contrário, cresceremos em velocidade, mas não em sabedoria.
Em 2026, que escolhamos ouvir mais e reagir menos.
Que escolhamos compreender antes de julgar.
Que escolhamos construir em vez de dividir.
Só crescemos verdadeiramente juntos.
Só avançamos em harmonia quando reconhecemos o outro como parte do caminho.
E só há futuro quando a empatia e o amor forem suficientes para sustentá-lo.
Não nos resignemos.
A mudança começa em gestos simples, em palavras cuidadosas, em escolhas diárias.
E quando escolhemos ser mais humanos, o mundo — mesmo imperfeito — torna-se mais habitável para todos.
Enquanto servidor público, esta reflexão não é apenas um desejo — é também um compromisso. A responsabilidade de servir implica mais do que cumprir funções: implica dar exemplo, agir com integridade, promover o diálogo, proteger a dignidade humana e trabalhar todos os dias para que as instituições sejam espaços de confiança, justiça e proximidade. Com a responsabilidade que me foi confiada, quero contribuir ativamente para esse mundo novo: mais inclusivo, mais humano, mais consciente e mais próximo das pessoas. Porque o serviço público só cumpre verdadeiramente a sua missão quando coloca o bem comum acima de interesses individuais e quando ajuda a construir pontes, em vez de muros.
Escolher não desistir.
Que 2026 não seja apenas mais um ano no calendário.
Que seja um ponto de viragem.
Que cada um de nós se lembre, mesmo nos dias difíceis, de que não somos espectadores da realidade — somos participantes ativos dela. Cada palavra que escolhemos, cada silêncio que quebramos, cada gesto de empatia que oferecemos é uma semente lançada no mundo.
Não precisamos, e jamais seremos, perfeitos.
Precisamos de ser presentes.
Precisamos de coragem para continuar a acreditar no humano, mesmo quando tudo parece empurrar-nos para o cinismo, a ingratidão, a indiferença ou o medo.
Que tenhamos a ousadia de ser mais gentis num tempo áspero.
Mais justos num tempo confuso.
Mais unidos num tempo que insiste em separar.
A verdadeira revolução começa dentro — quando escolhemos não devolver ódio com ódio, quando recusamos a indiferença como resposta, quando insistimos em cuidar uns dos outros, mesmo sem aplausos.
Se cada um fizer a sua parte, por pequena que pareça, o mundo muda.
Muda devagar, é verdade. Mas muda de forma duradoura.
Que 2026 seja o ano em que escolhemos não desistir:
da empatia, da harmonia, do amor e da esperança.
Porque enquanto houver pessoas dispostas a acreditar e a agir, há caminho, há futuro e há luz.
TEXTO:
Paulo Catalino
Presidente da Câmara de Carregal do Sal











































































