A Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) revela hoje que em 2025 ardeu mais do dobro do que era “expectável”, tendo em conta a meteorologia, mas cerca de metade do ocorrido no ano de 2017.
Em 2025 arderam no mundo mais de 386 milhões de hectares, cerca de 2,9% por cento da superfície terrestre, com África a concentrar quase dois terços da área queimada. A Europa representou apenas 3% do total, mas a Península Ibérica foi responsável por quase dois terços da área ardida na UE, com 270 mil hectares em Portugal e 452 mil em Espanha, evidenciando impactos locais muito significativos, lembra em comunicado a AGIF.
Os dados agregam “realidades de fogo muito distintas, desde regimes ecológicos tradicionais e controlados até incêndios altamente destrutivos, incluindo os que ocorrem na interface urbano-rural, com custos humanos e financeiros elevadíssimos. Para além das fatalidades e dos danos materiais, acumulam-se provas dos efeitos negativos na saúde pública, nas emissões de gases com efeito de estufa, na perda de floresta e na economia, o que tem impulsionado uma resposta internacional mais estruturada”, sublinha.
Em 2025 registaram-se “avanços relevantes na governação global dos incêndios”. Na UNEA-7, as Nações Unidas aprovaram uma resolução que apela à cooperação internacional, ao reforço de sistemas de alerta e monitorização e à transição de respostas reativas para estratégias de prevenção proativa, reconhecendo o papel do Global Fire Management Hub da FAO. Na COP30, Portugal subscreveu a Call for Action for Integrated Fire Management, comprometendo-se, com mais 66 países, a integrar os princípios da Gestão Integrada de Fogos Rurais nas políticas públicas e na gestão operacional, com metas e indicadores concretos até 2028. Estes compromissos alinham-se com a Kananaskis Wildfire Charter, subscrita pelo G7, e reforçam uma abordagem sistémica à escala europeia.
Ao aderir a estes acordos, Portugal “assume a necessidade de maior integração entre prevenção e combate, formação articulada e certificada, operações com padrões de qualidade e sistemas de comando interoperáveis. O país vê reconhecida internacionalmente a estratégia seguida desde 2018, liderada pela AGIF, que tem contribuído ativamente para a diplomacia internacional do fogo. A experiência portuguesa, ancorada no Sistema e no Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais 2020-2030, tem produzido resultados positivos, como a redução do número de incêndios, melhorias na gestão da vegetação, maior preparação das comunidades e diminuição de vítimas e danos em edifícios2, realça ainda a AGIF.
Acrescentando que “persistem, contudo, fragilidades estruturais. A gestão ativa do território continua insuficiente, com poucos incentivos económicos à adoção de boas práticas, riscos elevados no interface urbano-rural e execução desigual das políticas locais. No combate, mantêm-se debilidades na antecipação, planeamento, coordenação interinstitucional e comando operacional, o que tem limitado o aproveitamento das oportunidades criadas pela prevenção e aumentado a área ardida em incêndios complexos”.
Perante este cenário, a AGIF identifica três prioridades centrais para os próximos anos: reforçar o Programa Nacional de Ação, alinhando políticas públicas e financiamento e aprofundando a cooperação internacional; criar estímulos económicos e fiscais para proprietários e autarquias gerirem ativamente o território; e organizar recursos especializados numa força rural pública e privada capaz de apoiar eficazmente o comando de incêndios complexos. A estratégia está definida e reforçada por compromissos internacionais; o desafio passa agora por persistir politicamente, operacionalmente e coletivamente, garantindo estabilidade institucional, integração de esforços e cooperação contínua entre Estado, autarquias, proprietários, associações e comunidades.







































































