O Sector de Células de Empresa de Coimbra do Partido Comunista Português (PCP) está a distribuir um comunicado dirigido aos trabalhadores da ERSUC, no qual denuncia a degradação das condições de trabalho na empresa, critica a gestão privada e apela à mobilização dos trabalhadores.
No documento, o PCP afirma que os trabalhadores da ERSUC têm resistido àquilo que considera ser uma situação de exploração, marcada por baixos salários, ameaça de perda de direitos e deterioração das condições laborais, situação que, segundo o partido, se agravou após a privatização da empresa.
Entre os problemas apontados estão as deficientes condições das instalações sanitárias, com avarias recorrentes provocadas pelo entupimento das caixas de esgoto. O PCP denuncia ainda falhas frequentes no sistema de ar condicionado da zona de triagem, particularmente nas cabines de escolha, onde, segundo o comunicado, as temperaturas podem atingir os 40 graus durante o verão.
A organização comunista alerta também para a alegada sobrelotação do espaço destinado ao armazenamento dos fardos, situação que considera dificultar o trabalho dos operadores de máquinas e colocar em causa a segurança dos trabalhadores.
Outro dos problemas identificados prende-se com a existência de resíduos urbanos acumulados nas instalações e com situações de deposição de resíduos em aterro sem triagem. Para o PCP, estas ocorrências assumem particular gravidade por poderem ter consequências ambientais e para a saúde pública, afetando sobretudo os trabalhadores que contactam diariamente com estas situações.
O comunicado critica igualmente a política tarifária da empresa. O PCP salienta que, apesar de considerar existirem “lucros substanciais”, a ERSUC terá aumentado em 160% o tarifário cobrado aos municípios, sem que, na perspetiva do partido, tenha havido uma melhoria correspondente na qualidade do serviço. O PCP sustenta ainda que a tarifa de resíduos sólidos urbanos representa, em alguns casos, a parcela mais elevada da fatura da água, podendo mesmo ultrapassar o valor pago pelo consumo de água.
No plano laboral, o partido acusa a ERSUC de se recusar a aumentar salários, atribuir carreiras profissionais e negociar contratação coletiva. Critica também a contratação de uma empresa externa espanhola, alegadamente destinada a corrigir falhas de produção, considerando que essa intervenção não resolve os problemas estruturais e das condições de trabalho e poderá contribuir para aumentar os ritmos de trabalho.
O PCP responsabiliza a privatização pela atual situação e defende que a ERSUC não deveria ter deixado de estar sob controlo público. O partido considera que a gestão deste setor não deve estar subordinada à lógica do lucro, invocando razões relacionadas com a proteção ambiental, os direitos dos trabalhadores, a qualidade do serviço e a gestão dos recursos públicos.
No comunicado, o PCP destaca ainda a participação dos trabalhadores da ERSUC em greves sectoriais e nas greves gerais convocadas pela CGTP-IN, considerando que a mobilização laboral será determinante para alcançar melhorias nas condições de trabalho e nos salários.
O partido afirma, por fim, que tem desenvolvido iniciativas sobre os problemas da ERSUC junto das autarquias e na Assembleia da República e anuncia que voltará a questionar o Governo sobre a situação da empresa. O PCP manifesta solidariedade com os trabalhadores e defende a retoma do controlo público da ERSUC.
As acusações e reivindicações apresentadas no comunicado correspondem à posição do PCP e não incluem, neste documento, a resposta da administração da ERSUC às questões levantadas.









































































