Um inquérito desenvolvido pela União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades, a segunda freguesia mais populosa do concelho de Coimbra, concluiu que 96% dos respondentes já sentiram atrasos nos transportes urbanos, 71 por cento com frequência.
O estudo, que contou com 172 respostas, foi desenvolvido por aquela união de freguesias para apresentar o diagnóstico e os problemas que os residentes registam no serviço prestado pelos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) àquela freguesia periurbana do norte do concelho, apresentando uma avaliação global bastante negativa.
Dos 172 inquiridos, 70 têm idade entre os 35 e os 54 anos e 48 entre os 18 e os 34 anos, com 108 a serem trabalhadores por conta de outrem e 34 estudantes. Cerca de metade dos inquiridos utiliza os SMTUC todos os dias ou quase todos os dias.
As linhas mais associadas a atrasos são a 25, 36 e 30, com a maioria dos utentes a pedir maior frequência das linhas dos SMTUC (144 de 172), melhor pontualidade (113) e mais cobertura de rotas (94), de acordo com o documento enviado à agência Lusa pela união de freguesias.
Na avaliação de dez dimensões do serviço dos SMTUC (numa escala de zero a cinco), a frequência de serviço tem a nota mais baixa (1,68), seguido de satisfação geral (1,92), pontualidade (2,11) e qualidade de informação (2,16). A dimensão com melhor nota foi a simpatia dos motoristas (3,03).
No inquérito, que deixava a possibilidade de comentários ou sugestões em texto livre, os inquiridos criticaram os horários desalinhados com a vida das pessoas (nomeadamente para dar resposta a quem trabalha em turnos noturnos e os serviços reduzidos ao fim de semana), supressões sem aviso prévio ou a falta de fiabilidade de informação em tempo real na aplicação dos SMTUC.
O estudo alerta para veículos sobrelotados em linhas com forte procura escolar, como é o caso da 53 e 39, e aponta para zonas com cobertura insuficiente ou nula, como é o caso da rua de Montargil, Monte Formoso, São Paulo de Frades, Logo de Deus, Santa Apolónia e Murtal.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da União das Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades, Luís Correia, afirmou que a junta decidiu avançar com o inquérito depois de ter sido agendada uma reunião pelos SMTUC para este mês, para debater o serviço prestado.
“Tentámos fazer um inquérito limpo e puro, no sentido de que não há aqui nenhuma questão política. Foi no sentido de perceber quais as verdadeiras queixas das pessoas”, disse à agência Lusa o autarca eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra, liderada pelo PSD.
Para Luís Correia, os SMTUC “não conseguiram acompanhar o crescimento da cidade”.
“A determinada altura, os SMTUC não conseguiram readaptar tudo aquilo que era a sua oferta, que é vasta e até com bastantes horários, para aquilo que é uma realidade de uma cidade que foi crescendo e que foi tendo diferentes ‘layers’ de pessoas a residir”, constatou.
Para o presidente daquela junta de freguesia, os transportes não se ajustaram a uma cidade que cresceu para norte e a uma universidade que tem outros dois polos, mantendo linhas muito direcionadas para os hospitais.
Segundo Luís Correia, ainda há zonas daquela freguesia que não são abrangidas por qualquer transporte urbano e outras que o sendo precisavam de reajustes para suprimir as falhas existentes.
Na quarta-feira, o presidente da junta teve uma reunião com os SMTUC, que deu indicação de que a reestruturação da rede que está a ser preparada trará uma realidade distinta da mobilidade, esperando que os contributos entregues pelo inquérito possam ser tidos em conta.
“Eu tenho muita esperança que assim seja”, disse, esperando que a mobilidade em Coimbra mude para garantir que a freguesia a que presida possa ter “a rede de transportes que merece e que ofereça aos fregueses uma qualidade e uma pontualidade de serviço que, neste momento, não existe”.







































































