A Região Metropolitana de Coimbra (RMC) apresentou esta segunda-feira, no Convento São Francisco, a nova Plataforma de Gestão Urbana (PGU), uma infraestrutura digital que promete transformar a forma como os 18 municípios da região planeiam e gerem o território, recorrendo à integração e análise de dados para apoiar decisões mais rápidas, coordenadas e sustentadas.
Desenvolvida no âmbito do projeto “Região de Coimbra +Inteligente”, a plataforma representa um investimento de 1,92 milhões de euros, integralmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sendo apontada como uma das mais relevantes iniciativas de transformação digital da Região Metropolitana de Coimbra.
A sessão de apresentação contou com a presença da presidente da RMC, Helena Teodósio, do ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, do presidente da ARTE, Manuel Dias, do CEO da Kyndryl Portugal, José Gonçalves, empresa responsável pelo desenvolvimento tecnológico da plataforma, e de Christopher Robin Raitviir, da Tallinn Strategic Management Office.
Na sua intervenção, Helena Teodósio sublinhou que a plataforma representa “uma nova forma de pensar, gerir e desenvolver o território”, esclarecendo que os municípios continuarão a decidir de forma autónoma, mas “com mais informação, de forma mais coordenada e com uma visão regional”, permitindo criar políticas públicas mais eficazes e prestar melhores serviços à população.
Também o ministro Gonçalo Matias destacou o potencial da iniciativa para reforçar a capacidade de decisão das autarquias através da utilização inteligente dos dados. O governante apontou ainda o projeto ForestSphere, dedicado à monitorização florestal e à gestão do risco de incêndio, como exemplo das soluções que integram a Estratégia Nacional de Territórios Inteligentes.
Dados para apoiar decisões
A Plataforma de Gestão Urbana permitirá agregar informação proveniente de sensores instalados no território, sistemas municipais, equipamentos urbanos e bases de dados públicas, transformando informação dispersa em conhecimento útil para a gestão pública.
Concluída a arquitetura tecnológica, inicia-se agora a fase de integração progressiva das diferentes áreas de gestão e respetivas fontes de informação, processo que será desenvolvido pela Kyndryl, responsável pela conceção da infraestrutura tecnológica.
Dez áreas estratégicas
A plataforma foi concebida para apoiar a gestão integrada de dez áreas consideradas estratégicas para a administração local: gestão da rega dos espaços verdes, ocorrências, ocupação do espaço público, resíduos sólidos, recursos hídricos, riscos naturais, consumos energéticos, transportes, turismo e desenvolvimento económico e monitorização da atividade local na área da saúde.
Entre as funcionalidades previstas estão a monitorização dos consumos de água e energia, a prevenção de riscos naturais, a otimização da gestão dos espaços públicos, o acompanhamento da mobilidade e do turismo, bem como a produção de indicadores que apoiem políticas públicas mais sustentáveis.
Gestão regional baseada em dados
O secretário executivo intermunicipal da RMC, Jorge Brito, considerou que a plataforma marca uma mudança estrutural na gestão do território.
Segundo explicou, os municípios passarão a dispor de uma visão integrada da região, permitindo antecipar problemas, avaliar políticas públicas e tomar decisões de forma mais rápida, coordenada e fundamentada.
A Plataforma de Gestão Urbana funcionará com base em quatro etapas: recolha de dados provenientes de múltiplas fontes, integração da informação numa infraestrutura comum, análise através de dashboards, mapas e ferramentas analíticas e disponibilização de indicadores estratégicos para apoio à decisão.
Operacionalização arranca nas próximas semanas
Nas próximas semanas será iniciada a integração dos dez módulos de gestão previstos e das diferentes fontes de informação que irão alimentar a plataforma. Em simultâneo, arrancará um programa de formação dirigido aos técnicos da Região Metropolitana de Coimbra e dos 18 municípios envolvidos.
A expectativa da Região Metropolitana é que, até ao final do verão, todos os verticais estejam integrados, permitindo dar início a uma nova fase da transformação digital do território, assente na utilização de dados, na cooperação intermunicipal e na inovação tecnológica ao serviço dos cidadãos.

















































































