A República Baco revelou ter recebido, na passada quarta-feira, 15 de julho, uma carta da Universidade de Coimbra (UC) a comunicar a intenção de denunciar o contrato de arrendamento do edifício que ocupa há mais de 50 anos, no Largo de São Salvador.
O documento é acompanhado da autorização do ministro da Educação e do secretário de Estado do Tesouro e das Finanças.
Segundo a República, esta decisão surge na sequência de outras tentativas da Universidade para desocupar o imóvel, onde a Baco reside desde 1972.
Fundada há 92 anos, é atualmente a segunda república estudantil mais antiga de Coimbra e está instalada numa zona classificada como Património Mundial da UNESCO. Desde 2025, é também reconhecida pela Câmara de Coimbra como entidade de interesse histórico-cultural.
O edifício foi adquirido pela Universidade de Coimbra na década de 1990, mantendo-se, desde então, a República Baco como arrendatária. No mesmo imóvel funciona igualmente a República das Marias do Loureiro. As duas casas são apontadas como espaços históricos da cidade, com um papel relevante na preservação das tradições académicas, da cultura estudantil e da participação cívica.
A República afirma que, em julho de 2025, foi informada informalmente da existência de um relatório técnico que identificava problemas estruturais no edifício, justificando a necessidade de uma rápida desocupação. Nas reuniões realizadas durante os meses de julho e agosto desse ano com representantes da Universidade e dos Serviços de Ação Social da UC, foram discutidas alternativas de alojamento, bem como um eventual plano de obras. Contudo, segundo a associação, nunca foi apresentada uma solução que assegurasse a continuidade da vida comunitária característica das repúblicas.
Após essas reuniões, a República Baco refere que a Universidade interrompeu o diálogo direto, limitando-se a comunicar, por correio eletrónico, a suspensão do apoio à entrega de bens alimentares — apoio que, segundo a associação, continua a ser prestado às restantes repúblicas — e a informar que deixaria de assumir responsabilidades relativamente ao estado do edifício. Acrescenta ainda que as rendas pagas mensalmente passaram a ser devolvidas pela instituição.
Até ao momento, a República afirma não ter recebido qualquer proposta concreta que permita garantir a continuidade da casa como espaço comunitário autogerido, seja no edifício atual ou noutra localização.
Na perspetiva da associação, a comunicação agora recebida confirma uma estratégia da Universidade de Coimbra destinada ao desalojamento das repúblicas estudantis, colocando em risco um património cultural e identitário que considera fazer parte da história da cidade e da própria Universidade, classificada como Património Mundial pela UNESCO desde 2013.
Reconhecida como associação juvenil pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), a República Baco desenvolve regularmente atividades culturais, sociais e comunitárias de acesso gratuito. Ao longo dos seus 92 anos de existência, acolheu e foi frequentada por diversas personalidades da vida política, académica e cultural portuguesa, entre as quais Almeida Santos, José Niza, Rui Pato, Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, o médico sul-africano Christiaan Barnard e o poeta brasileiro Vinicius de Moraes.
A República Baco manifesta disponibilidade para trabalhar em conjunto com a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra e outras entidades públicas e da sociedade civil, com o objetivo de encontrar uma solução que permita preservar as Repúblicas Baco e das Marias do Loureiro enquanto espaços de habitação comunitária, cultura e tradição estudantil.














































































