O Município de Seia assinalou, no passado dia 30 de julho, o 50.º aniversário do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) com uma sessão evocativa dedicada à memória, ao conhecimento e à identidade da montanha, reunindo investigadores, antigos técnicos do Parque, representantes institucionais e membros da comunidade.
A iniciativa, integrada no programa comemorativo promovido pela Comissão de Cogestão do Parque Natural da Serra da Estrela, decorreu no CISE – Centro de Interpretação da Serra da Estrela e começou com a inauguração da exposição “Serra da Estrela: Memórias da Vida Agropastoril”.
A mostra reúne fotografias e documentos recolhidos por Alberto Martinho entre 1970 e 1971, no Sabugueiro, durante um trabalho de investigação sobre as comunidades serranas. Patente no CISE durante o verão, a exposição retrata o quotidiano da vida agropastoril e evidencia a relação histórica entre as populações e a Serra da Estrela.
Um dos momentos altos da cerimónia foi a homenagem a Alberto Martinho, natural do Sabugueiro, sociólogo, antropólogo e investigador que integrou a primeira equipa técnica do PNSE. Ao longo de décadas, dedicou-se ao estudo das comunidades serranas, da pastorícia e da produção do Queijo Serra da Estrela, deixando um importante legado científico e cultural para a valorização deste território.
A sessão incluiu ainda uma conversa evocativa com Alberto Martinho, Angelina Barbosa, Narciso Ferreira e António Serafim Correia, membros fundadores do Parque Natural da Serra da Estrela. Durante o encontro foram recordados os desafios da criação da área protegida, o trabalho desenvolvido nos primeiros anos e o contributo do Parque para a preservação do património natural e cultural, bem como para a afirmação do Queijo Serra da Estrela e das atividades tradicionais que continuam a marcar a identidade da montanha.
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Seia, Luciano Ribeiro, destacou o papel pioneiro da primeira equipa técnica do PNSE e sublinhou que a Serra da Estrela é um território profundamente humanizado, onde as comunidades locais, a pastorícia e a produção do Queijo Serra da Estrela constituem elementos indissociáveis da sua identidade.
O autarca defendeu ainda que a continuidade destas atividades tradicionais é essencial para a gestão sustentável da paisagem serrana, contribuindo para a conservação da natureza e para a redução do risco de incêndio rural, numa estratégia que alia a proteção ambiental à valorização das populações que vivem e trabalham na Serra da Estrela.











































































