Seis meses após a passagem da tempestade Kristin, que atingiu com particular intensidade a Região de Leiria, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) apresentou o documento estratégico “Balanço a Seis Meses da Tempestade Kristin – Recuperação, Resiliência e Reindustrialização nos 10 Municípios da Região de Leiria”, no qual faz um ponto de situação da recuperação do território e apresenta três propostas estruturantes para reforçar a resiliência e promover o desenvolvimento da região.
O documento, elaborado com base nas conclusões da Presidência Aberta realizada entre 6 e 10 de abril de 2026 na zona Centro, destaca os progressos alcançados desde a tempestade de 28 de janeiro, nomeadamente a criação da Universidade de Leiria e Oeste e a mobilização de mais de mil milhões de euros, através do Banco Português de Fomento, para apoiar as empresas afetadas.
A CIMRL sublinha ainda o papel determinante desempenhado pelos municípios, pelos bombeiros e pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) durante todo o processo de resposta e recuperação. As autarquias assumiram responsabilidades no acolhimento das populações, na validação dos prejuízos e no apoio direto aos cidadãos, muitas vezes para além das suas competências e recursos habituais.
Persistem dificuldades na recuperação
Apesar dos avanços registados, a comunidade intermunicipal alerta para problemas que continuam por resolver.
No setor da habitação, existem ainda casas sem cobertura definitiva, protegidas apenas por lonas e plásticos, situação atribuída à insuficiência de apoios financeiros e à escassez de mão de obra na construção civil.
Também a recuperação das infraestruturas continua incompleta. A reposição das comunicações e da rede rodoviária ainda não está concluída, originando custos acrescidos para cidadãos e empresas. Além disso, alguns edifícios públicos afetados, nomeadamente nas áreas da Justiça e da Segurança, apenas deverão estar totalmente recuperados no final de 2026.
A CIMRL refere igualmente que muitos municípios continuam a suportar elevados encargos financeiros com a reconstrução. Em localidades particularmente afetadas, como Vieira de Leiria, as autarquias foram obrigadas a recorrer a verbas próprias para colmatar prejuízos que não foram totalmente compensados pelos apoios do Estado.
Segundo o documento, estas situações demonstram um desfasamento entre a dimensão dos danos provocados pela tempestade e a capacidade financeira e operacional das entidades locais, defendendo a necessidade de reforçar o apoio público.
Três propostas para preparar o futuro
Além da resposta à emergência, a Comunidade Intermunicipal apresenta três medidas estratégicas para impulsionar a recuperação económica e aumentar a resiliência da região.
A primeira passa pela criação de uma grande Área de Localização Empresarial (ALE), capaz de atrair um investimento âncora, público ou privado, potenciando a instalação de novas empresas e a reindustrialização do território.
A segunda proposta prevê transformar a Região de Leiria numa região piloto de resiliência energética e de comunicações, através do reforço das redes elétricas subterrâneas e da criação de sistemas redundantes de comunicações por satélite e outras tecnologias de emergência.
A terceira medida aposta na criação de um hub de inovação, em parceria com a nova Universidade de Leiria e Oeste, promovendo uma Zona Livre Tecnológica e projetos ligados à descarbonização, energias renováveis e transformação digital.
Para o presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria e presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, a experiência dos últimos seis meses demonstra que “a resposta à tempestade Kristin não se pode esgotar na reparação de danos”. O autarca considera que este é o momento de transformar a crise numa oportunidade de desenvolvimento estrutural, tornando a Região de Leiria “mais resiliente, mais competitiva e mais preparada para enfrentar os desafios climáticos do futuro”.










































































