Escrevo estas palavras como emigrante, mas acima de tudo como filho da terra, nascido e crescido em Unhais da Serra, mais concretamente no Bairro da Terra da Senhora. Falo com dor e revolta no coração. Dor por ver a nossa população esquecida, e revolta por assistir ano após ano aos mesmos problemas que parecem não ter solução.
É inadmissível que uma terra rica em água, como é Unhais da Serra, sofra constantemente com a falta dela nas torneiras. Todos os verões, quando regresso para passar férias, deparo-me com o mesmo cenário: dias inteiros sem uma gota de água para tomar banho, lavar ou cozinhar. E não, senhor presidente da Junta, não é só por causa dos incêndios ou de alguma rutura ocasional. Este problema já é antigo, repetitivo e, pior ainda, ignorado.
Chega de desculpas. Chega de tapar o sol com a peneira. O povo do Bairro da Terra da Senhora — e de toda a freguesia — merece respeito. É tempo de dar voz a quem se tem calado por medo ou resignação. Se a Junta de Freguesia não tem capacidade para resolver este problema básico, então que passe a gestão da água para a ADC da Covilhã. Talvez aí se encontre uma solução definitiva.
Mas infelizmente, a água não é o único problema. Recentemente, com os incêndios que assolaram a região, o local escolhido para o confinamento foi a prainha de Unhais. Uma vergonha. Pessoas de idade, com dificuldades respiratórias devido ao fumo, foram levadas para um espaço ao ar livre, enquanto as portas da sede da Junta permaneceram fechadas. Isso é desumano. Onde está o apoio à nossa população mais vulnerável?
Em contraste, não posso deixar de dar os parabéns à Junta de Freguesia das Cortes. Vi com os meus próprios olhos uma sala de apoio preparada, com garrafas de água, bolos e condições dignas para acolher quem precisava. Uma verdadeira lição de cidadania e humanidade.
Unhais da Serra merece melhor. A nossa terra tem história, tem força e tem um povo trabalhador que merece ser tratado com dignidade. Que esta mensagem sirva de alerta e de apelo. Basta de silêncios. Basta de promessas. Exigimos ação.
TEXTO.
Márcio Braga



































































