O espólio exumado das arcas tumulares de D. Dinis e do seu neto, o Infante, na Igreja do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, foi esta semana classificado como Tesouro Nacional. A decisão reconhece o valor histórico, artístico e científico de um conjunto de peças único, datado do início do século XIV.
A classificação resulta de um inédito e minucioso trabalho de investigação interdisciplinar conduzido por equipas do Património Cultural, I.P., da Câmara Municipal de Odivelas e da Museus e Monumentos de Portugal, EPE.
Os trabalhos tiveram início com a abertura da arca tumular do Infante, a 25 de julho de 2019, seguindo-se, a 9 de outubro do mesmo ano, a do rei D. Dinis. As equipas procederam então à exumação de um espólio considerado extraordinário, tanto pelo seu estado de conservação como pela relevância para o estudo das práticas funerárias régias medievais.
No túmulo do Infante foram identificados o ataúde em madeira, duas túnicas — uma em tons de preto, vermelho e bege, e outra de cor verde —, botões metálicos com vestígios de esmalte, fragmentos de bordados e passamanaria, bem como uma alfaia têxtil, possivelmente utilizada como cobertura do féretro.
Já no túmulo de D. Dinis foram encontrados os restos do ataúde, a espada do monarca, um manto semicircular em lampasso (tecido lavrado), uma túnica listada com mangas em tons vermelho e verde, também em lampasso, além de capuz, cobertura de cabeça e duas almofadas em tafetá.
O conjunto agora classificado como Tesouro Nacional constitui um contributo ímpar para a compreensão das práticas funerárias da Casa Real medieval. Os resultados da investigação permitem aprofundar o conhecimento sobre a organização do espaço sepulcral, os rituais de deposição funerária, a tipologia do enxoval e os aspetos técnicos da arquitetura e montagem dos ataúdes de madeira destinados a personalidades régias.












































































