Moimenta da Beira volta a cumprir, esta terça-feira, uma das suas tradições mais antigas e identitárias com a realização da “Queima do Velho”, um ritual popular de origem pagã profundamente enraizado no bairro do Arrabalde, no centro da vila.
Marcada pelo humor, pelo simbolismo e pela forte participação comunitária, a celebração tem como momento central o cortejo fúnebre do “Velho”, um boneco de palha colocado num esquife, que simboliza o ano que termina. A concentração da população está prevista para cerca das 23 horas, dando início a um desfile que percorre várias ruas da vila e se transforma num verdadeiro teatro popular, onde a solenidade se cruza com a ironia e a sátira social. O cortejo é animado por carpideiras em falso lamento, um padre fictício e música tradicional.

As ruas, iluminadas por luminárias de palha, criam um ambiente característico das celebrações de inverno, aquecido pela presença de moradores e visitantes. À meia-noite, o desfile chega à Fonte de São João, onde o boneco é queimado num gesto simbólico de despedida do ano velho e das suas dificuldades, abrindo caminho a um novo ciclo de esperança e renovação.
A noite termina num ambiente de festa e convívio, com o tradicional brinde ao novo ano, celebrado com espumante Terras do Demo, presença habitual neste momento comunitário.
Com o apoio da autarquia, a “Queima do Velho” é organizada pela Junta de Freguesia e pela população local, preservando o caráter espontâneo e genuíno que define esta tradição. Transmitida de forma informal entre gerações, a iniciativa constitui um exemplo vivo de património imaterial, continuando a unir a comunidade em torno da sua memória coletiva e identidade local.











































































