Num país como Portugal, que não produz petróleo, a forma como nos deslocamos tem também impacto direto na economia nacional. Durante décadas, a dependência de combustíveis fósseis obrigou o país a gastar milhares de milhões de euros na importação de petróleo e derivados, dinheiro que acaba por sair da economia portuguesa.
Neste contexto, a aposta nos carros elétricos pode representar uma mudança importante. Ao contrário dos veículos a combustão, que dependem de gasolina ou gasóleo importados, os carros elétricos utilizam energia que pode ser produzida dentro do próprio país. Em Portugal, uma parte significativa da eletricidade já provém de fontes renováveis, como a hídrica, a solar e a eólica.
Isto significa que, ao carregar um carro elétrico, uma parte maior do dinheiro gasto fica na economia nacional, contribuindo para empresas portuguesas, produção energética interna e desenvolvimento tecnológico. Além disso, reduz-se a vulnerabilidade do país às flutuações do preço do petróleo nos mercados internacionais.
Naturalmente, os carros elétricos não são uma solução perfeita. Existem desafios como o custo inicial dos veículos, a necessidade de reforçar a rede de carregamento e a produção das baterias. Ainda assim, numa perspetiva estratégica, podem ser uma peça importante para diminuir a dependência energética externa.
Num país sem petróleo, cada passo que reduza importações energéticas pode ter um efeito positivo na economia. Por isso, a transição para a mobilidade elétrica não é apenas uma questão ambiental — é também uma questão de soberania económica.
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Joaquim Moreiras
Economista









































































