Os vereadores do Partido Socialista (PS) na Câmara Municipal de Arganil manifestaram publicamente a sua indignação e discordância face à decisão da maioria do executivo PSD de avançar com a demolição da chaminé existente no terreno destinado à construção do novo Centro de Saúde e Serviço de Urgência Básico (SUB) de Arganil.
A decisão foi tomada na última reunião de câmara de 2025, realizada a 29 de dezembro, e é classificada pelos eleitos socialistas como um “golpe severo” na memória histórica da vila, além de representar, segundo o PS, uma opção financeiramente injustificável.
A chaminé, construída em alvenaria de tijolo burro, integrava o terreno adquirido para a construção do equipamento de saúde e constitui um elemento associado à antiga Fábrica de Resina que ali funcionou. Para o PS, trata-se de um símbolo do património arquitetónico e industrial de Arganil, cuja preservação deveria ter sido acautelada.
Em comunicado, os vereadores socialistas consideram que a decisão configura um “crime contra a memória industrial”, defendendo que estruturas semelhantes são preservadas noutras localidades como testemunho de uma época marcante da história económica e social do país.
Para além da vertente patrimonial, o PS aponta ainda críticas à gestão financeira do processo. De acordo com os vereadores, a proposta de demolição baseou-se num relatório do ITeCons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade, solicitado pelo empreiteiro da obra. Segundo os valores apresentados, a autarquia prescindiu de 8.679,68 euros previstos para a reabilitação da chaminé e aprovou um investimento de 14.750 euros para a sua demolição.
Os vereadores do PS consideram “inaceitável” que o município opte por um custo superior para eliminar a estrutura, sublinhando que não foi solicitado qualquer estudo técnico alternativo que avaliasse soluções de reforço da estabilidade da chaminé.
A bancada socialista lamenta ainda que a decisão tenha sido tomada numa reunião não pública e com o aval da entidade fiscalizadora Invall Portugal, sem que, na sua perspetiva, tenham sido esgotadas todas as soluções técnicas para a manutenção do elemento patrimonial.
A proposta foi aprovada com quatro votos favoráveis do PSD e três votos contra do PS. Na declaração de voto, os vereadores socialistas reiteraram que o património não deve ser encarado como um entrave, mas como um ativo a integrar de forma digna no novo equipamento de saúde, tal como inicialmente previsto.
O PS afirma que continuará a defender a preservação da identidade e da memória histórica de Arganil, comprometendo-se a denunciar decisões que, no seu entender, empobrecem o património coletivo do concelho.






































































